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Vocações

Ser Dominicano

Ser Dominicano - Dominicanos


Sentes que a vida que levas não te enche as medidas? Sentes-te chamado por Deus a uma vida de entrega mais radical, a um maior compromisso com Cristo e a sua Igreja?

Se estas questões já te atravessaram o espírito e tens gosto pela oração, pelo estudo e pela vida fraterna comum, então talvez esteja na hora de fazeres uma experiência dominicana…

A entrada na Ordem dos Pregadores (‘Dominicanos’, do fundador São Domingos de Gusmão) compreende algumas etapas de discernimento, prova e formação:

 

  1. Postulantado ou pré-noviciado. Trata-se do primeiro passo a dar no caminho para a vida religiosa. A finalidade deste período é preparar o aspirante para o noviciado, acima de tudo com uma instrução catequética e alguma formação sobre a vida em comunidade.

  2. Noviciado. O noviciado é tempo de prova, com o fim de que os noviços conheçam, de um modo mais íntimo, a vocação dominicana; experimentem o estilo de vida da Ordem; assimilem, de alma e coração, o espírito dominicano; e os irmãos comprovem o seu propósito e a sua idoneidade.

  3. Profissão religiosa. Pela profissão, os irmãos consagram-se a Deus, seguindo Cristo, para levar uma vida evangélica na Ordem. Para tal, assumem os conselhos evangélicos. Ao prometer, na profissão, obediência a São Domingos, os irmãos propõem-se manter fiéis ao seu espírito e ao seu ideal.

  4. Estudantado. Após o noviciado, segue-se um período de formação religiosa e intelectual. Os irmãos estudantes devem ter em grande estima o estudo e a investigação.

  5. Ordens sacras. Eventualmente, se for essa a sua vocação, os irmãos poderão ser ordenados com vista ao exercício do ministério diaconal e presbiteral. 

 

CONTACTO:

Frei Filipe da Costa Rodrigues, op

Responsável pelo Postulantado

Convento de São Domingos de Lisboa

Rua João Freitas Branco, nº12, 1500-359 LISBOA

Tel. 217 228 370

Email: freifilipeop@gmail.com 

 

Perguntas Mais Frequentes sobre a Vida Dominicana

Perguntas Mais Frequentes sobre a Vida Dominicana - Dominicanos

Algumas questões que quem quer ser religioso coloca sobre a vida de um frade dominicano…

Eu não tenho um bom feitio. Ainda assim posso entrar na Ordem?

Tudo depende o que entende por «mau feitio»! Os religiosos, como toda a gente, não são perfeitos, e não existe um «feitio ideal». Mas é necessário ter vontade de viver com outros, valorizar a suas qualidades, não implicar com os outros por causa dos nossos humores… Mas sobretudo estar disposto a mudar.

E se eu não gostar de um irmão, tenho necessariamente de viver com ele?

Não vivemos numa comunidade com pessoas que escolhemos. Acreditamos nas palavras de Jesus “Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi”. Quanto a «detestar» alguém, é necessário perceber porquê. E mesmo que esse irmão não viva na sua comunidade, continuará a ser um irmão. Poderemos nós aceitar ou excluir um irmão escolhido por Jesus?

Eu sou inválido ou doente: é-me possível viver a vida comum?

Não há uma resposta definitiva para todas as situações. A doença em si ou a invalidez não impedem a vida religiosa. É muito importante que fale com o frade responsável pelas vocações. Algumas deficiências tornam impossível viver em comunidade, ou exigem condições materiais que nós não temos nos conventos. E algumas doenças impedem a pessoa de se consagrar à missão.

Eu vivi algum tempo junto…

O que é essencial não é a vida passada, mas a escolha actual de um modo de vida, mesmo se as experiências anteriores marcam a nossa vida afectiva, os nossos desejos e expectativas. Ao reflectir sobre as suas experiências passadas (se possível com alguém da Ordem), acha que pode escolher e seguir a vida religiosa, viver o celibato, a continência e a castidade? Quais foram as suas experiências de via conjugal? Desejou ter uma família, ter filhos? É com pena que não os teve ? O seu desejo de entrar na Ordem é por uma «decepção amorosa»?

Eu não sou português…

O costume da Ordem é convidar o candidato a entrar em contacto com os irmãos que vivem no seu país de origem. Há comunidades de frades no seu país? Já falou com eles? Se ainda não o fez, faça-o. Se não há, quem sabe não pode vir a fundar uma? Se é emigrante e vive em Portugal, com vida estável, entre em contacto com a comunidade religiosa da sua região.

Tenho de vender todos os meus bens antes de entrar?

Não, antes de entrar. Na verdade, há um ano de noviciado e depois três anos de profissão temporária. Durante esse tempo, um irmão não tem o direito de gerir ele próprio os seus bens, mas não tem de os alienar. Normalmente, recomendamos que confie a gestão dos seus bens a uma outra pessoa. É uma maneira de respeitar a liberdade do discernimento.

Existem comunidades mistas?

Não, na Ordem não há este tipo de comunidades, a não ser de modo excepcional. Na Ordem, para além dos conventos dos frades, existem as monjas (que ficam no mesmo mosteiro), ou as irmãs de vida apostólica (que vivem no convento, e mudam de lugar), e os leigos casados ou celibatários. Há colaboração entre nós, mas não vivemos uns com os outros numa mesma comunidade.

Eu não sei rezar…

A tradição da oração comum, bem como a vida de oração para a qual a nossa Ordem nos conduz, serão para si uma escola. Mas pedimos sempre Àquele que sabe rezar, o próprio Cristo, que nos ensine a rezar.

Eu sou desafinado…

Muito poucas pessoas cantam verdadeiramente mal. É por isso que como gostamos da oração litúrgica coral, e muitas vezes cantada, talvez lhe seja pedido que aprenda a cantar, ao menos para se poder juntar à voz dos frades. Não se trata de proezas artísticas, mas simplesmente cantar os ofícios com os frades. Todos cantamos e com gosto!

Eu não gosto muito de mudanças…

Diferentemente dos monges nós não fazemos profissão de estabilidade. A vida dominicana exige deslocações: ir ao encontro das pessoas, mudar de conventos, e às vezes até mesmo de país para se aproximar de outras culturas. Falamos muitas vezes de «itinerância apostólica» de São Domingos. Um frade pregador não pode querer ser um caseiro.

É possível desenvolver os dons artísticos?

Sim, na história da Ordem temos muitos exemplos, mesmo se todos os frades um pouco dotados no domínio da arte não foram como o Beato Angélico! A Ordem gosta de promover os dons de cada um, na medida em que esses dons se possam expandir, e ajudar à missão. Mas, no campo da arte como nos outros domínios onde os frades são especialistas, a Ordem não gosta que nenhum frade faça uma «carreira pessoal».

Eu não tenho um espírito prático: é possível viver em comunidade?

Ninguém neste mundo é assim tão desenrascado, mas é importante a contribuição de cada um para que a comunidade trate verdadeiramente da sua casa. Entre as coisas da casa, arranjos mais técnicos, o jardim, a cozinha, a loiça, a gestão… cada um terá oportunidade de contribuir à sua maneira. E cada um terá também a possibilidade de aprender para determinadas tarefas práticas. Como na vida de toda a gente!

Posso manter os laços com a minha família e os meus amigos?

É óbvio que sim. Os laços familiares e de amizade são importantes. O ano do noviciado é um ano diferente em que pedimos aos irmãos que se afastar um pouco das relações anteriores. Evidentemente que, pelo facto de se fazer uma escolha pela vida religiosa, há mudanças no modo de desenvolver as relações, sendo que nós devemos dar prioridade, não à nossa família nem aos nossos amigos, mas sobretudo à nossa vida com os frades e para a missão da Ordem.

Serei obrigado a fazer alguma coisa que não me agrade?

É grande a missão da Ordem, e algumas missões exigem disponibilidade de frades. Na medida do possível, não “obrigamos” um irmão a uma coisa que seria absolutamente contrária à sua personalidade, mas é a missão o que é mais importante e é neste sentido que fazemos voto de obediência. Muitas vezes uma nova responsabilidade pode ser uma grande oportunidade para a sua liberdade.

Eu gosto e quero seguir a Cristo nas pegadas de São Domingos, mas não estou preparado em me envolver na vida religiosa…

A preocupação pela salvação do mundo não é tarefa só dos frades, mas de toda a família dominicana. Poderá ajudar-nos através do laicado dominicano ou dos vários movimentos juvenis…

Eu não tenho estudos filosóficos nem teológicos. É um impedimento?

O estudo dominicano não se caracteriza em primeiro lugar pelos estudos, mas pelo desejo de conhecer melhor e servir a Palavra com os utensílios adequados. A filosofia e a teologia não são cursos estranhos, mas sim pontos de partida para a formação que consiste justamente em adquirir as ferramentas necessárias para abordar estas matérias.

Os estudos podem integrar uma especialização profissional?

Se no domínio profissional particular, de acordo com os seus superiores, um frade pode encontrar um modo original e inabitual de pregar, pode-se integrar uma especialização profissional.

Eu não me sinto capaz de muitos estudos, é um problema?

A Ordem pede ao frade o máximo que ele possa dar, mas nunca o que ele não pode dar.

Eu já tenho estudos filosóficos (ou teológicos). Tenho de os recomeçar?

Na sua formação, não é necessário partir do zero; deverá aprender a entrar no estudo, como ele é feito pelos frades: aberto às questões do mundo, estimulado comunitariamente.

É necessária alguma preparação particular antes de entrar no noviciado?

Há uma idade mínima para ser admitido ao noviciado (18 anos), mas não nenhuma formação particular.

Eu já sou padre, já não necessito repetir os estudos…

Mesmo que já seja padre, porque pede a misericórdia dos irmãos, como qualquer um que quer entrar na Ordem de São Domingos, deverá aprender a ser frade, para acolher, em tudo, esta misericórdia aos seus irmãos.

Eu gostaria de ser apóstolo do Evangelho, mas não quero ser padre…

Ser apóstolo do Evangelho não se determina a partir de um ministério na Igreja. É, antes de mais, encontrar um meio, a partir do que ele é, como manifestar o amor de Deus aos nossos contemporâneos.

Pode-se pregar sem ser padre?

A pregação no sentido lato é antes de mais o testemunho de uma vida, por actos e palavras. Também se prega pela catequese, pelos conselhos que se dão, pelas visitas a doentes ou presos, etc, etc. No entanto, a homilia da Eucaristia é da responsabilidade dos ministros ordenados (diáconos e padres).

A pregação do Evangelho precisa das minhas competências profissionais?

Não há, a priori, nenhuma competência que não sirva para o anúncio da Boa Nova. Tudo depende da coerência que pode haver entre essas competências e a pregação.

Um frade não-ordenado participa nas decisões da vida comum? A sua voz conta?

Nós tornamo-nos frades a partir do momento em que recebemos o hábito. Por isso participamos na vida comum e cada um pode dar a sua contribuição. A partir da profissão solene, a voz de cada um conta sempre que as decisões forem submetidas a voto. Nos dominicanos, conta primeiro o ser frade (irmão) e só depois o ser ou não padre.

A pregação dominicana é compatível com uma vida de oração de tipo «monástico»?

Nos princípios da Ordem, São Domingos quis instituir uma vida religiosa que se distinguisse dos mosteiros: ele quis que os frades pudessem testemunhar no mundo, o amor de Deus por cada ser humano. A oração alimenta, assim, a pregação.

Numa ordem clerical, como a ordem dominicana, pode-se ser feliz e servir como um «simples frade»?

Claro que sim! Um frade não-ordenado não é um “frade de segunda”. Para todos os frades, mostrar a todos a salvação, começando por si e pela comunidade, é fonte de vida, de liberdade, de comunhão e de alegria.

Padre = celibatário?

Ao professar o voto de castidade na sua profissão religiosa, o frade está já obrigado ao celibato. No momento da ordenação diaconal e depois na presbiteral, confirma-se este compromisso. A Igreja católica romana escolheu chamar aos ministérios só os homens que aceitem livremente ficar celibatários.

Eu gostaria de ser um frade-padre, qual será a minha formação?

Ao longo do tempo dos estudos, os frades recebem uma formação espiritual que passa por uma prática regular (oração, liturgia e celebração dos sacramentos); uma formação intelectual (teologia, bíblia, história da Igreja, filosofia, etc.); uma formação humana, e uma aprendizagem do encontro com o outro, através de diversas experiências apostólicas e pastorais. Os exames e uma avaliação validam esta formação.

Eu não tenho a certeza de querer ser padre. Como saber?

É importante um tempo de discernimento durante o noviciado. Este tempo privilegiado de diálogo com o mestre de noviços e depois com o mestre de estudantes deve permitir escolher em consciência fazer profissão como irmão cooperador ou como irmão leigo. A decisão do apelo à ordenação pertence em último lugar ao provincial.

Não sinto vontade em tornar-me um pároco…

A vocação de um frade pregador não é a mesma do padre diocesano. O ministério presbiteral exerce-se de várias maneiras e em vários lugares sem que seja associada a uma só comunidade de fiéis ou a uma paróquia. Na sua comunidade, antes de mais, mas também por todos os lugares, porque os sacramentos acompanham a sua pregação. No entanto, a realidade eclesial pede-nos muitas vezes a ajudar as dioceses.

A Província dominicana de Portugal precisa de frades padres?

A província dominicana precisa de frades, sejam ordenados ou não. Precisamos de padres para podermos assumir um grande número de actividades apostólicas e de pregação em colaboração com os bispos, bem como para um certo número de cargos de governo. A Província e a Igreja precisam de frades padres.

É necessário aprender latim?

A aprendizagem de um vocabulário mínimo de grego e latim pode ser útil para não confundirmos um Kyrie com um Agnus Dei durante a celebração. Os que quiserem podem aprender mais. Mesmo fazendo parte dos estudos teológicos, a prática do latim não é indispensável para o exercício do ministério presbiteral.

Deo Gratias!